DIA DE CAMÕES
CAMÕES GALANTEADOR
(1)
Quando escrevo sobre um poeta nomeado,
Recordo a escola e a minha “mestra” D. Glória—
—“Hoje quero uma redacção da nossa história
Escrevam sobre um poeta de vosso agrado…?!”
Por acaso eu tinha lido n’um almanaque
Um artiguelho sobre Camões:–“O AMOR É FOGO…”
Fiz uma redacção que de MUITO BOM, sem rogo
Que fiquei entre todos da turma em destaque!
Já homem, fui à biblioteca Nacional,
Saber mais. Li o LUSIADAS daquele vate imortal,
E, assim fiquei desde a primária fã de Camões!
Galã! Jovial! Elegante! Aventureiro!
Adulador na côrte, no tempo foi o primeiro…
Pra publicar o livro sem posses teve aflições!
(2)
Quem queira ler o LUSIADAS tem que ter cultura,
Camões, empregou metáforas da mitologia,
Hebe! Erato! Báratro! Érebo, em alegoria,
Que é preciso saber toda nomenclatura!
Suas variações e inversões, têm sabedoria,
No seu tempo os silogismos foram…”tortura”,
Nos Cantos podem-se ler Deuses com fartura,
Porém, tudo é assim mesmo nem poesia.
Reza a lenda que Camões:– (Não se sabe a verdade…)
Se andou ou não em Coimbra na Universidade,
Todos seus sonetos são, sem dúvida, obras-primas!
Leiam: Pede o desejo, dama que vos veja…”
Ou este–“Senhora minha se de pura inveja…”
E, muitos mais da amorosa colectânea de RIMAS!
Nelson Fontes Carvalho
== Nelfoncar ==
AMORA == Belverde
PORTUGAL
A AVAREZA DO MEU TIO…
Ao morrer, o avarento alimentará os mesmos vermes,
que irão consumir aquele miserável que ele enxotou, quando
lhe pediu comida. Porem, estes vermes, mais sábios,
não o descriminará, como alimento.
Ivan Teorilang
A avareza e a ambição mostram-se mais
descontentes do que não têm, do que
satisfeitas com o que possuem.
François Fénelon
A avareza é um nó corredio que aperta cada dia
mais o coração e acaba por sufocar a razão.
Honoré de Balzac
Tive um tio, bom homem, mas caiu na parvoíce,
De toda vida a trabalhar, poupar, era só sua ideia,
Viu passar os anos, só pra ver a arca cheia,
Que nem deu pelo que fez, chegou à velhice!
Foi desmedida sua ganância e somitice,
Avareza que se guiava em casa co’a candeia,
Seu pão, não era de milho bom, mas sim, d’aveia…
Vá ao doutor?… “ Não tenho tempo, vejam a tolice!
Um dia chegou a hora de prestar contas a Deus,
Que mesmo assim, avaro, com tinos judeus,
Suas últimas palavras… gravei este extracto…
Sei que vou morrer, quero enterro sem brilho,
O modesto possível,… olha, ouve, meu filho,
Campa rasa, caixão de pinho, e do mais barato!