O RELÓGIO

Morre a tarde,
silenciosa e quente…
Na mesa, castiçais
a reluzir cristais
aos raios multicores
do sol poente.

À minha frente,
centenário relógio,
no seu tic-tac sonolento,
relembra o passado.

Esquece-me o presente…
Vôo no espaço ausente…

Quantos, ora sem vida,
já te deram vida!
Tantos te contemplaram
elegante e belo,
na parede da velha casa!
Quantos irão te ver ainda
a marcar, solitário e indiferente,
a implacável, infinda,
passagem do tempo!…

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Sobre Celina Figueiredo

Nascida em Itabira, no dia 06 de setembro de l929. Formada em Letras, professora de Língua e Literartura(aposentada). Viúva,tenho cinco filhos, oito netos e quatro bisnetos. Desenho e escrevo para me distrair e ainda procuro passar a Palavra de Jesus para os pequenos da catequese.
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2 respostas a O RELÓGIO

  1. Excelente poema. Bela construção poética, permitindo maravilhosa formação de imagens. O tempo é mesmo um dos maiores temas da literatura. Voltarei depois para ler mais. Um abraço!

  2. Celina Figueiredo disse:

    Obrigada, André, pela gentileza de seus elogios. Senti-me bastante envaidecida, pois às vezes fico indecisa quanto ao valor do que escrevo. Hoje mesmo, antes de colocar o poema no “Cultura Livre”,pedi ao meu filho que o lesse.Abraços,
    Celina

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