O Monstro da Áustria

A Áustria, um país com paisagens de contos de fadas, vive hoje uma era de perplexidade diante do horror revelado na pacata cidadezinha de Amstetten, a 130 quilômetros a oeste da capital, Viena.

O eletricista Josef Fritzl, atualmente com 73 anos, manteve a filha Elisabeth presa durante 24 anos em um calabouço abaixo de sua própria casa, sem ver a luz do sol, juntamente com três de seus filhos. A jovem, à época com 18 anos, foi repetidamente estuprada pelo pai durante esses anos todos, chegando a engravidar e dar à luz 7 filhos, dos quais um bebê, morto em decorrência de falta de cuidados, foi incinerado pelo pai-avô, que já está sendo chamado o “monstro da Áustria”.
O circo de horrores não se encerra por aí e, a cada momento, novos aspectos aterrorizantes desta saga são revelados.

De fato, um espécime desses só pode ser chamado de monstro.

Mas não nos esqueçamos de que da Áustria surgiu outro monstro que, coincidentemente, veio a morrer no dia 30 de abril, em 1945, após conduzir praticamente o mundo todo a uma catástrofe sem precedentes: A Segunda Guerra Mundial.
Hoje é dia 30 de abril e portanto, há 63 anos, esse outro monstro da Áustria – Adolf Hitler -, suicidou-se.

Existem mais relatos de casos de caráter desumano acontecidos na Áustria, embora em escala menor; tais personagens, entretanto, tratam-se de exceções, não são dignos de ser comparados aos austríacos, um povo laborioso, civilizado, que conhece o sofrimento, que também foi vítima das artimanhas do nazismo, um governo manipulador, que transformava vizinhos em espiões e controladores. Talvez para se libertarem desse estigma de espionagem, os vizinhos do atual “monstro da Áustria” não perceberam os horrores da casa ao lado.

Fica-nos a crença, ainda assim, na capacidade de produções edificantes do ser humano.

Afinal, foi na mesma Áustria que nasceu outro monstro, desta feita um monstro de inteligência e dedicação, que passou toda sua existência tentando compreender e explicar essas facetas instigantes do próprio ser humano: Sigmund Freud, o pai da psicanálise.

Finalmente, vale também lembrar que a Áustria é o berço natal de verdadeiros “monstros sagrados”, como Mozart, um ícone da divina arte musical, Fritz Lang – o genial cineasta -, Maximilian Schell – consagrado ator, vencedor de um Oscar -, dentre tantos outros.

Oriza Martins

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3 respostas a O Monstro da Áustria

  1. Narciso de Oliveira disse:

    Oportunas e profundas reflexões sobre as muitas facetas do ser humano. O ser humano, esse ser capaz das maiores virtudes ou dos mais monstruosos crimes, é o mesmo em todo o mundo. Não importa a nacionalidade, sua cultura e seus costumes: é sempre o mesmo homem, com suas qualidades e seus defeitos, suas virtudes e seus vícios, em qualquer país em que
    tenha nascido.
    Entretanto, é importante informar e condenar as atrocidades cometidas, para que a humanidade reflita sobre o fato e que o mesmo jamais se repita.

  2. carla disse:

    O que eu posso dizer é que este homem não poderá jamais sair da cadeia ou justiça não será feita. Há efectivamente pessoas que não podem viver livres esse é u facto que infelizmente poucos paises se negam a reconhecer. Não sou a favor da pena de morte porque é na minha perspectiva boa de mais para pessoas como estas ,por mim esta coisa( que não pode ter outro nome porque se lhe chama-se animal estaria a desrespeitar os animais que se comportam bem melhor),seria posta numa cela com bandidos e permitia que lhe fizessem tudo menos mata-lo e ainda seria pouco para o que ele fez á propria filha e aos filhos desta com ele.
    Pessoas como esta não merecem ser considerados com cidadãos apenas coisas sem quaisquer direitos .
    Se assim fosse talvez outras coisas como esta pensassem duas vezes.

  3. carla disse:

    não vou mudar uma virgula pois penso que existem pessoas neste mundo que a preversidade e a maldade é tanta que não merecem qualquer consideração ,penso ate que não descrevi tudo o que me ia na alma. Afinal é suposto sermos animais racionais e coisas como esta ultrapassa tudo o que possa ser senso comum. Penso tambem que não ofendi ninguem .

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