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COBIÇA
por Mírian Warttusch | outubro 23, 2008
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Me esgueirei
pela porta da cozinha…
um cheiro bom
de cocada pegadinha
quase me fez parar;
mas o desejo era mais forte!
E segui teu cheiro,
também o melhor de todos.
Alfazema, talco de bebê,
sei mais o quê,
que mistura boba
que dava tão certo…
sai pelo fundão da casa,
e sorrateiro espiei
pela fresta da porta
do banheiro…
- madeira carcomida -
teu corpo inteiro eu vi,
nuzinho, nuzinho,
num desacato ao meu
bom senso de rapaz de família.
Saída do banho,
ainda cheguei a tempo de
te ver pingando daquela
chuveirada boa de
verão tão quente…
e a toalha ora mostrava,
ora escondia tudo
aquilo que eu gulosamente,
às escondidas, queria ver…
Era da cor da terra o teu corpo.
sonhava que serias minha,
mas era só um sonho
inconformado de rapaz
ainda imberbe e mal
formado, alguns pelos nascendo…
mas tive você, sim,
olhando ali, teu corpo nu,
às escondidas, imaginei…
Que gozo cruel!
*** MÍRIAN WARTTUSCH ***
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