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CAMINHOS de SANTIAGO
por Oriza Martins | junho 9, 2009
Hoje em dia, quando alguém me indaga “por onde se começa a fazer o Caminho de Santiago?”, fico tentada a responder:
- Pela internet!
Mas, melhor refletindo, o primeiro passo é sempre dado pela nossa vontade de realizar a peregrinação. E o passo seguinte: pesquisar os meios para se alcançar tal objetivo. Nesse caso, não há dúvidas de que a web é um instrumento inestimável, eficiente, motivador.
Inúmeros relatos de experiências nos colocam diante das diferentes possibilidades: dicas, mapas, fotos, dificuldades, meios…
Quanto mais se pesquisa a respeito do assunto, tanto mais cresce em nós o desejo de vivenciar a mágica peregrinação.
A forma mais tradicional, logicamente, de se realizar o percurso, é a caminhada. A imagem conhecida do peregrino é a do caminheiro, com sua inseparável mochila nas costas, que perfaz a distância de cerca de 800 km desde os Pirineus Franceses até Santiago de Compostela, na Espanha, em cerca de 40 dias, a pé…
Mas os caminhos que levam a Santiago são infinitos, podem partir dos mais distantes rincões da Europa, quiçá do mundo, e os meios para se chegar lá podem também variar segundo as contingências do indivíduo: a cavalo, de bicicleta, de carro…
Existe uma quase unanimidade em se afirmar que outros meios – que não a caminhada – não têm o mesmo significado. Faz sentido: a experiência de cruzar veredas, subir morros, andar na lama, chuva, sol, neve, com toda a aura mística que o Caminho inspira, é inigualável.
Existem até os que não veem com bons olhos os peregrinos que se utilizam de meios alternativos ou que não fazem o caminho todo de uma vez.
Mas essa é uma visão equivocada.
Se o Caminho de Santiago serve para nos lavar a alma, despi-la de preconceitos e afastar o que resta em nós do homem velho – como diria Chico Xavier -, não faz sentido colocarmos em julgamento as razões e meios pelos quais alguém está fazendo o “seu próprio” Caminho. É mister lembrarmo-nos de que cada qual, naquele momento, tem motivos, sujeita-se a suas limitações: idade, tempo disponível, estado de saúde, situação financeira, etc., e é muito pouco provável que alguém esteja ali por motivo fútil.
Seja qual for sua razão – fé, pagar promessa, turismo alternativo e até simples curiosidade -, esteja certo de que estará entrando em uma nova fase da existência, a partir da qual vai passar a encarar a vida com um novo olhar. A começar pela própria necessidade de vencer obstáculos.
Certa vez ouvi de um peregrino que, no início, lá pelas serranias de Roncesvalles, parecia que o caminho significava apenas subir, subir e subir… ele se indagava, diante do acidentado terreno do norte da Espanha: “meu Deus, mais uma subida? Será que conseguirei? Parece que a gente não desce nunca, apenas sobe…” Mas a caminhada acabou levando-o a compreender o significado do potencial humano em superar dificuldades. E quando ele, na etapa final, lá do alto do monte, avistou Santiago de Compostela… sem comentários… a sensação é indescritível…
E agora, nestes tempos globalizados, temos os peregrinos virtuais que, diante das dificuldades de fazer o caminho in loco, usufruem a felicidade de poder acompanhar a peregrinação através da internet, com relatos diversos, imagens aos milhares, vídeos mágicos em tempo real, maravilhosos, e muito da magia que o Caminho de Santiago inspira.
Se você é uma dessas pessoas que, no momento, não tem condições de peregrinar pessoalmente, reserve uns minutinhos de seu dia e faça um trecho do caminho pela estrada virtual… envie mensagens, medite, faça reflexões… é uma grande experiência!
Se, no passado, todos os caminhos levavam a Roma… também no passado, hoje, agora e sempre, todos os caminhos levam a Santiago de Compostela…
Enfim… o Caminho de Santiago é, acima de tudo, um estado de espírito.
- Onde começa o Caminho de Santiago?
- Começa onde de você está! Começa dentro de nós mesmos…
Oriza Martins
Topics: - ATUALIDADES, - CRÔNICA | 2 Comentários »


junho 11th, 2009 at 9:17 am
Linda,oportuna e esclarecedora a sua crônica sobre: ” CAMINHOS de SANTIAGO”.
Nestes tempos chamados “modernos”, em que os indivíduos pensam apenas em valores materiais e esquecem os espirituais, ela é, sem dúvida, um momento de reflexão e avaliação sobre nossa missão aqui na terra. Não há dúvida que a caminhada a pé, até Santiago, vivendo e sofrendo todas as intermpéries e dificuldades do caminho, propiciará ao caminhante o momento de refletir sobre sua vida e avaliar a sua conduta e pesar suas ações. Mas nem todos possuem as condições necessárias para esta caminhada: financeiras, saúde e disposição.
A estas pessoas resta a possibilidade de fazer esta peregrinação pela Internet, vivendo e sentindo as emoções próprias ou vividas por outros peregrinos que vivenciaram esta jornada.
Como você disse muito bem, “o caminho de
Santiago é, acima de tudo, um estado de espírito e começa dentro de nós mesmos e onde você estiver.
julho 11th, 2009 at 11:27 am
seria algo que gostaria de fazer,não é a primeira vez que se ocorre, mas não sei como dar o primeiro passo