CARTA AMOROSA DE OLAVO BILAC

CARTA AMOROSA DE OLAVO BILAC

 

 (Pouco conhecida, nem sei se está inserida na sua biografia)

 

(Em mulher não se bate com uma flor;

Espanca-se com a ironia mais fina!)

 

Excelentíssima Senhora: — Creio que esta carta não poderá absolutamente surpreendê-la. Deve ser esperada. Porque V. Excelência compreendeu com certeza que, depois de tanta suplica desprezada sem piedade, eu não podia continuar a sofrer o seu desprezo.

– Dizem que V. Ex.cia., me ama. Dizem, porque da boca de V. Excia, nunca me foi dado ouvir essa declaração. Como, porém, se compreende que, se compreende que, amando-me V. Excia, nunca tivesse para mim a menor palavra afectuosa, o mais insignificante carinho, o mais simples olhar comovido? Inúmeras vezes lhe pedi humildemente uma palavra de consolo. Nunca a obtive, porque V. Excia. Ou ficava calada ou me respondia como uma ironia cruel. Não posso compreendê-la: perdi toda a esperança de ser amado.

Separemo-nos.Para que hei-de eu, que a amo tanto, fazer a sua desgraça? É preciso que V. Excia.  Saiba que a minha vida tem sido um grande combate. Já sofri fome: sobre essa miséria criei a minha independência. Chamaram-me infame: sobre essa afronta creio a minha honestidade. Chamaram-me estúpido: sobre essa injustiça criei o meu talento. E foi sobre esses três alicerces que eu edifiquei o meu orgulho. Amo-a, tanto, que esta separação cedo ou tarde matar-me. Acima, porém, do meu amor está o meu orgulho. Não o quebrei aos pés do meu pai, não o quebraria aos de minha mãe: não posso, nem quero, quebrá-lo aos pés de V. Excia. Creio que nos valemos, minha Senhora; V. Excia. Está muito acima de mim. Há de reconhecer que nunca houve um noivado., cercado de tanto gelo e de tanta indiferença. Por quê? Talvez porque V. Excia. Acredite que os homens devem viver esmagados pelas mulheres. Concordo. Mas isso é bom quando se trata de homens vulgares: e eu não sou um homem vulgar. Quando pela última vez, nos falamos, eu preveni V.Excia. de que tomaria esta resolução, se não se modificasse o seu modo de proceder. Desta vez, como de todas as outras, ficou V.Excia. impassível. Que me perdoe, ter perturbado a tranquilidade da sua existência. Mas eu amava-a muito, amava-a como ainda amo, e queria, depois de tanta luta e de tanto sofrimento, ter um pouco de felicidade. Perdoe-me e fique certa de que para seu sossego, nunca mais me verá.

                                                                                    (A) OLAVO BILAC.

      P.S. Meu comentário: Quem seria esta Senhora?

Uma carta “quente” bem original do famoso poeta.

Foi copiada na integra cá dos meus “velhos” papeis. Achei digna de ser inserida aqui na CULTURA LIVRE., para os novos poetas se debruçarem como era o amor no tempo de OLAVO BILAC.              

Nelson Fontes Carvalho

(NELFONCAR)

AMORA ==Belverde

PORTUGAL                             

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8 respostas a CARTA AMOROSA DE OLAVO BILAC

  1. José Eduardo Chaves disse:

    A carta foi dirigida à sua ex-noiva, D. MARIA DA CONCEIÇÃO M. SELIKA DA COSTA. Lembro-me dessa correspondência, que foi publicada em Gramática Expositiva da Lingua Portuguesa, na qual estudei, no ano de 1947, no Colégio Santo Antônio, de São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil. Infelizmente, não me recordo do nome do autor da Gramática (gostaria de saber).
    Belo Horizonte (MG), 8 de janeiro de 2012.

  2. maicon disse:

    como passo essa historia com as palavras de hoje?

  3. maicon disse:

    preciso com urgencia?

  4. Nelson Fontes Carvalho disse:

    Estimado confrade MAICON:
    Sinceramente não percebi a sua pergunta, queira ser mai explicito, caso queira essa carta, basta copiá~la aqui da CULTURA, esta carta é autêntica, não pode ser alterada, basta copiar, não há outras palavras ou se caso prefere osso enviá~la outra vez.
    Desejo-lhe um bom domingo
    com os meus cumprimentos
    Nelson

  5. Priscila disse:

    Nossa Maicon como pode querer passar essa preciosidade para esse português chulo de hoje.
    Venero essa era clássica!

  6. nelson Fontes disse:

    Estimada PRISCEILA
    Parece impossível ler isto: …Essa preciosidade para esse PORTUGUÊS CHULO de hoje? Incrivel essa carta, SENHORA, foi por mim copiada de uma revista Brasileira de 1956?????? em Janeiro de 2012! Então eu sou CHULO PORTUGÊS é preciso ter lata, sem vergonha, escrever uma coisa dessas, quer informações minha indague junto da D. ORIZA, quem sou, pode er o meu trabalho, sou poeta senti orgulho
    mostrar ao povo brasileiro esta curiosa carta, nem todos a conhecem, agora vem a SENHORA a dizer que sou CHULO! Mas CHULO porquê? Nem quero acreditar
    de uma POETISA (Será???) escrever uma coisa dessas! Enfim!
    Vou reenviar à D. ORIZA este seu MAIL!
    Passe bem ed…tenha juízo!
    Cumprimentos
    Nelson

  7. Elimar Cardosos Filho disse:

    Pelo que entendí e, parace-me haver interpretações equivocadas. Penso que ” passar para o português de hoje é pedir soccorro para a pobreza que nossa língua vem sofrendo, com as infames gírias e neologismos.
    Nem por sonho manchar o magistral original. È como uma jóia bem lavrada. Não pode ser melhorada. Fica como está.

  8. Elimar Cardosos Filho disse:

    Maravilhosa composição de sentimentos, como outros d “BILAC”

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